No morro o funk continua, como se não houvesse amanhã
nem ontem. Posso morrer a qualquer momento.
Sinto o coração disparar numa disritmia inconsequente.
Se ainda fosse taquicardia, incongruente que é.
Mas essa vontade de ser exorcizada, como o título da canção
que também nomeia o que acontece ao meu peito:
o peso das coisas brutas e reais, não as sólidas
como pedras ou espantos, que se tateiam com mãos ou halos
mas as coisas de ninguém
esse ódio sortido em falta de bom gosto.
Falo de pessoas infelizes cujos corações
já não batem, pois não é possível
ter de bater panelas para que ouçam seu corações.
Não é possível se ensimesmarem nessa catarse
ignóbil, no desmantelo, amesquinhadas
abrutalhadas, vis. Meu coração não bate por elas
bate a 44%. Se eu viesse a morrer amanhã
mas amanhã eu não morro.

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