Bichos da vasta floresta

Uma das grandes alegrias de escrever um livro é permitir que a voz ecoe, tecida a muitas vozes, de maneira ainda mais intensa do que quando escrevíamos poemas isolados (que certamente habitamos, mas de forma talvez altissonante). Uma obra, por sua vez, propicia que alteridades atravessem o campo já minado e permeável do poema – fronteira múltipla a trazer contingências, hermenêuticas, durações. Deixar que outras vozes acalentem seu próprio silêncio, permitir que uma poética vire longa travessia, viagem; consubstanciar beleza, espanto, intempérie. Aquilo de ser ruína, e ser também território imensamente novo e pulsante, como o músculo que bombeia o sangue para nascermos. Enfim, tudo isso para dividir as primeiras impressões de leitura do livro que virá, as palavras do poeta que admiro imensamente, Caio Resende. Ele também assina orelha/prefácio (posteriormente divido um trecho do belíssimo texto que ele fez).

“Em breve, rodando o mundo, o livro ‘Uma casa perto de um vulcão’, da admirável poeta Roberta Tostes Daniel. Este livro é um assombro, uma pulsação de abismos e terras distantes; de retornos e de partidas; uma revoada de vozes catapultadas de silêncios e de ritmos. Uma força da natureza. A mim, me coube a vasta alegria de escrever-lhe a orelha, para em seguida ser eu mesmo um dos bichos da vasta floresta de suas nervuras. Uma alegria, uma alegria. Obrigado, Roberta, obrigado por tudo que é imenso em sua poesia!”

 

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