Vidraça

Almejo a solidão
do outro lado
da fissura

vinco este rosto
ideográfico

tenho a língua cortada
cambista

em furta-cor
doendo itinerários

sou ente que materializa
as depressões do vale

que testemunha o correr dos trens
vazios

que não perfuma
um fio de estrada

almejo a fissura
nas rugas que entretecemos

observando o sopé das montanhas
o viés andrajoso das casas

o amor lá atrás
na grande confusão

onde nos movemos
e nos quebramos em primeiro plano

almejo a luz
no baixio das neves

invoco a tirania
das águas

sinto nas alturas
um idioma

que não há
só pestanas.

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