Ainda sobre o fogo

Nunca mais ousar fogo num poema.

Nunca mais deixar esse nó na garganta

me possuir

com a destreza dos que não têm tempo para a delicadeza

– nunca mais perder a juventude por delicadeza.

Desdizer a ordem das coisas que não acontecerão mais.

Embalar a vácuo

a dor

na seladora doméstica

congelar a carne

prenha da dor

para que não sofra embolias

pela migração de um corpo estranho

um halo no círculo venoso

na concretude do sangue

que medra os algozes.

No entanto

qualquer forma ainda estacionária

da matéria

é matéria

qualquer ausência

é presença impotente

da ilicitude do silêncio

no momento reverso

da justiça.

Trazemos um punhado oco

nas mãos

da possível pedra

lapidar

tão delgada

anterior a tudo

vinda da lumieira dos tempos

magmática

quando o archote

untado de breu

era o meio seguro

de dizer alguma coisa

por entre as giestas

ou qualquer designação botânica

que se encarregasse

do respiro

na paragem

frente à beleza tênue

de arranhar os significantes.

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