Zap

Daquilo que ainda sinto no ar
quando fecho os olhos
e vejo ao longe

daquilo que por obrigação
se transforma no ar que respiro

não é por fechar os olhos
mas sem fechá-los
eu veria?

Atrás de uma montanha
calcinada
e da paideia

Santa Fé dos ossos de O’keeffe

sobre o flanco Pedernal
bones, ossos de carneiro

flutuando em Ghost Ranch
a flor a pedra

take time to look

inscrito no que há de vento
dentro delas

propícias a esses ventos
formas calcárias de forças

imiscuídas en pueblo
e taos

andemos
sobre lajotas pintadas
com óleo diesel queimado

a casa de Ruy Ohtake

por pessoas que lutaram a luta armada
cultivemos

pilotis
platibandas
deques

quem sabe a arquitetura moderna japonesa
em diálogo com o modernismo brasileiro

casa feita à irmã e luto
já não o vidro e o adobe
ressoando as paisagens

mas o componente espiritual
na concepção arquitetônica

invadindo de alusão
esse espaço tinindo
do ar que eu reviro

todos os dias imantada na imanência

todos os dias uma forma
uma concepção arquitetônica

um modo de levantar o pé direito
e ver as luzes chegarem.

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