Constantemente estamos delimitando e testando a elasticidade das fronteiras, buscando brechas, apostando em sendas. Dizendo: ‘depois de hoje há algo de definitivo sem o qual o futuro é só horror’. Mas é muito difícil nesta madrugada de violência inominável não saber o nome e o sobrenome, negar que os limites já foram todos atingidos. Há tempos. Temos a história, a escravidão, a força policial. Temos Amarildo, chacina aos milhares, Claudia, Rafael, Marielle. Corpos negros sendo escudados pelo privilégio branco. Até quando? Essa noite é toda trovão. Ineficazes lágrimas. O horror não é só a sistemática dos tempos atuais, calcada em brutalidade e apagamento; apenas se alastra dos becos e respinga em nós, em mandatos, em supostas garantias de um Estado que é só direito para os brancos. E que só é ágil a quem lhe paga. Se alastra a violência, há quem saiba que ela é diária e inequívoca. As veredas e sendas e limites e geografias se atalham nesse beco sem saída. Há que se encarar o beco.

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