Tudo acaba. Tudo morre. As coisas morrem. O tempo morre. A morte morre. No findar de tudo que finda, só nos resta findar também. Chega o momento em que nem o luto é o aspecto exato da perda. O luto anacrônico, alimentado pelo medo do que o inevitável há de nos retirar.
E se chegamos nessa compreensão em um dia, é porque denegamos o espelho. Algo soluça pouco antes da fatalidade. A vida toda é soluço. Tudo que é sólido se desmancha no ar. Então, tudo é leveza. Tudo é vestígio do sólido. Tudo se desmancha.
Abrir mão dos entalhes das palavras, encarar o proscênio, a ribalta.
Crueza. Crueza e nudez. Porque tudo acaba. Tudo se dissipa. Tudo é dispêndio.
E nos pede amor. Nos perde a inventar nossa versão do luto, da misericórdia, da dor dos outros — nossa dor, nosso medo.
Falo do lado do que finca, onde não há enredos. A trama nos agrilhoa, nos aliena. Nos concede motivos.
Mas aqui, onde tudo acaba, resta o sem-nome enfim revelado.

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