Adamantita

Amo a poesia em sua rudeza
em pensamento, sim
amo, se não esconde sua tintura

se não celebra a fétida cultura
de uns para poucos
destros donos da palavra.

Amo mais, se machuca
verdadeiro, insincero
estro peregrinável

incrustado em Aruanda
nos dialetos de Luanda
– o que não sei e me protege

e me vindima – certeza de ouvir
e de novo, inerente
entre as coisas viventes da carne

as coisas secretas da carne.

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