Pergunte ao pó 

Penso no deserto
penso no deserto
e na ilogicidade do caminhar.

Penso no deserto
penso no deserto
e em Camilla de Fante.

Penso no deserto
em sua arquitetura arqui-imóvel
ápeiron, sua arché.

Não existem pegadas
não se circunscrevem os rastros
de palavras pregadas no deserto.

Ninguém situa a consciência do deserto
a participação mística
quem supõe uma alma do mato

arranca a alma do deserto?
Desertificada psique
deserção, desertor

é o fabricante do deserto?

O deserto e seus símbolos
o deserto e seus deuses
o Olimpo no deserto.

Niilismo e deserto
fortuna e deserto
amor e desacerto.

Penso no deserto
quando o deserto me pensa
sou irmã do homem. 

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2 comentários sobre “Pergunte ao pó 

  1. poema de la siguiriya gitana – frederico garcia lorca

    Los laberintos
    que crea el tiempo
    se desvanecen.

    (Sólo queda
    el desierto.)

    El corazón,
    fuente del deseo,
    se desvanece.

    (Sólo queda
    el desierto.)

    La ilusión de la aurora
    y los besos,
    se desvanecen.

    Sólo queda
    el desierto.
    Un ondulado
    desierto.

    I walked in a desert – stephen crane

    I walked in a desert.
    And I cried,
    “Ah, God, take me from this place!”
    A voice said, “It is no desert.”
    I cried, “Well, But —
    The sand, the heat, the vacant horizon.”
    A voice said, “It is no desert.”

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