poesia
Quando me assisto no escuro
ainda não é noite
tomo a dianteira na mansidão
com que o terror canta
 
um animal noturno
um animal político
taciturno se desprende
onde pude ser mais quente.
 
Esqueci os pequenos afagos
das coisas vãs
porque a voz de mulher crucial
desponta em cada mulher
 
no movimento uterino da galáxia.
Formulo um tanto exacerbada
esta contração que arca
 
com a estrita observância
do que vive verdadeiramente.
Danam-se a regrar
 
com regras machas
danam-se a proteger mulherezinhas
a dizer o que veste uma mulher
 
como uma mulher ama
se uma mulher flutua
se lhe cabe o posto infame
de mulher nua.
 
Se o que houve neste escuro
se corrompe
feito a borrasca de um desenho cruel
e necessário
 
eu que me observo na difícil
duração desta mudança
e me perco por entressafra
 
excessivamente in natura
solapada solipsista
metida a derramada
 
enfrento este derrame
e invoco o mistério
desta lucidez.
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