Ciclo

O mundo com sua taça embebida
no aroma dos mortos
com seus dizeres pequenos, sombrios
suas devastações de ofício.
A regra de cálculos ruminantes
movimentos abocanhados pelo vinho
das fantasias itinerárias.
Acordar de repente, a taça sobre a mesa
carta quase a termo, parágrafos colhidos
de olhos movediços num palco de intuições.
Aquela antiga dor, o ventre que escurece
a transparência de razões também sagradas
vermelho agônico-anacronia.

Tudo com detalhes

Talvez, deseje depor todas as coisas
ordenar veias e pensamentos
diluir o quarto em dedos
soldar teu sono com o vermelho
invertendo o que se destinou por boa gente
tudo com detalhes que, de uma hora pra outra
me atreveria a abandonar por rotinas
que alguém chamasse gastas
pés assentados em Cochabamba
pés viandantes por Compostela
pés que não se desviam de ser pés.