Nota

Por intensa que seja a harmonia ou quebra entre som e sentido; por especulativa ou imagética que possa ser, a poesia, nas suas mais diferentes filiações, parece ter como fator preponderante seu poder de figuração/deslocamento. Por isso, sua irrevogabilidade, o caráter meio indiscernível e impermutável de seus elementos, de sua língua. Antilírica, hermética, intelectiva, virulenta, ela como que instala um efeito suspensivo e multiplicador dos sentidos da realidade. Para isso, pode soar aparentemente banal, pode propor a reinstauração de uma desordem mítica. Ainda que não referencie diretamente fatos de seu tempo, é produto do seu tempo. Embora figurativa/suspensiva, não reconecta nada; antes, corta a realidade e apresenta camadas de suposições.

Publicado por

Roberta Tostes Daniel

Roberta Tostes Daniel, carioca. Tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Mallarmargens, Zunái, Musa Rara, Diversos Afins, Estrago, Incomunidade, além de blogs e no site do Centro Cultural São Paulo. Incluída nas antologias: “Desvio para o Vermelho” (CCSP), “Amar, verbo atemporal” (Ed. Rocco) e “história íntima da leitura” (Ed. Vagamundo). Email: robertatostes@gmail.com “Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra” (António Ramos Rosa)

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