Minha vida vai estar numa mochila
a acompanhar dois hemisférios
a nadadora mergulha num braço
um traçado sutil faz menção da água.
O que o amor evapora são espaços
considerar o mundo com as supernovas
do quarto, da casa: o verde água
o vermelho rubi, o azul sempre sem nome.
Sempre algo se conquista no silêncio
se perde na sombra. Quem pensa
ficar daqui pra lá catando
playlists, livros interrompidos
pelo enjoo da viagem avassaladora
da realidade? Se dormir nem é opção
(quem dorme nestas horas convulsas?)
tampouco morrer. Errar
de uma casa a outra, no exaspero suave
do sonho de três anos. Ficar.
Ficar também é lutar.

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