Porque atravessavam portas comprometidas com outra espécie de lógica

não eram seus corpos matéria suficiente

atravessavam pela insuficiência, portanto, com o mesmo conhecimento de um recém-nascido

a mesma fragilidade, portanto

não eram ornamentais nem rosas de pedra, eram outra coisa

surgiam ao alcance da voz; extinguiam-se num mesmo ponto, sujeitas à deterioração e ao abandono

saltavam como pulgas, campos imensos, centenas de milhas; demarcação pertinente aos aviões, pensavam

no que pensavam, perdiam-se dos destinos desenhados no dorso dos dedos cansados da operação

isto de fiar ruínas como quem invoca as portas e os quadrantes

como quem salta lógicas desaforadamente

feito quem fotografa coisas possíveis e as consagra

na calha que escorre a água da chuva ou o sangue do abatedouro.

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