Rodovia

Eu era a criança aturdida com o verde, o que me compensaria
na cadência suave das árvores nas encostas
e de tempos sucessivos e distantes em outras paragens.
Quando a estrada esvazia, restam os caminhões
pequenos desentendimentos como pontos
equidistantes na nódoa dos séculos
ameaçando a pertença das crianças distraídas na velocidade.
Rodovia, poema, palco de elipses
perpassam desgraças mudanças casas isoladas.
Na estrada, assumem a franqueza do insondável
imagens com que contornar múltiplas cegueiras
o desenho de certas árvores, frágeis filigranas
pensamento desmentido, roupa de não caber.
Eu, a criança de braços esticados olhos confundidos
do verde-heresia da viagem
criança de cidade, minguada pela imensidão de prédios e luzes
frágil e oitentista, século vinte.

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