VI

Tem essa coisa do eco dos poemas. O eco do que não se pode parar de dizer. Os peixes sendo os primeiros a entrar no navio. Afundado, por último, pelas mulheres e pelas crianças. O eco do que não se pode parar de dizer. Na ressonância do livro por vir, a primeira parte aberta ao canto das sereias. Ulisses amarrado ao mastro, o autor sem rosto, clamando pelo neutro, um tipo de morte do escritor. Não creio na morte do escritor. Mas na linguagem como a imagem de si mesma, fascinação do espelho a oferecer nova infância, mais sombria, um jogo de cartas, um duelo, homo ludens. Huizinga, Vygotsky, Wittgenstein. Nomes lúdicos. Blanchot de batismo – aquela fotografia de Rilke na biblioteca, a descrição nos cadernos de Malte do homem sedado pela atmosfera, os cabelos em pé das horas lidas. Construímos, dessa feita, em camadas e vozerio – de preferência, em pianíssimo, nossos recifes, nossas ancorazinhas, nossos plânctons, nossos deuses.

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