III

Acordei agora com a sensação do escafandro em meu corpo. No meio da noite, para quem se esgotou cedo. Me espanta a curva do tempo que flui desembaraçado enquanto me visto em escafandro para reter parte deste mergulho. Durmo por ciclos de esgotamentos. Insônias, inércias incidem flagelando estruturas mentais, inaugurando delinquências nos signos e nas razões. O azedume na boca diz que todos os poemas estão datados. De alguns saem vapores e trevas. De seus eixos, sintagmáticos, paradigmáticos. Deduzo que esses eixos não são comutáveis. Não há que se falar em fatalismo, mas em limite mágico. Devolvo a valise de cronópio. A mim me importa, mais que tudo, sua precariedade. Eternos que não se finalizam, dedos que se desdobram, costurados. Por serem devires e cristais, carne emancipada e corpo de escafandro. Escrevo e chove, agora pelo celular, graças ao aplicativo. Basta digitar a palavra certa e ouço sons do oriente. A palavra certa no poema datado. A infantaria do poema futuro. Um mushi, ao meu lado, talvez prestes em sua fatalidade a me entregar o lado sombrio das revelações.

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