Fotografo para desembainhar as palavras
E escrevo pelo mesmo motivo – imagens

Posso escrever cegonha e lembrar de uma garça
Se fotografo a garça, cuido de meus olhos

Para que um dia eu veja, por exemplo, flamingos

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Matéria

Na cela do tempo, o downtempo
excarcera a nascente dos ouvidos
da garota com o gosto narcótico dos dedos
invadidos de fumaça.
Todos libertamos um cheiro de náusea
todos liberamos um desejo de pausa.
Frui de seus olhos a mudança de natureza
carne plástica, desenho
nujazz, cabelos lo-fi.
No trip-hop, se oferece em imensidão
elástica.

 

Portas abertas ao precipício.

Ciente de que não sobraria qualquer coisa de meus armistícios.

Lutei até o último ponto da fronteira.

Nada me ameaçou mais que morrer pelas beiradas.

O consumo certo dos desvãos desafiou a vida marinha

e agora resta esse nó esse deserto essa hora pouca

esfomeada hora.

Nice shot

De encontro às ruínas
tudo é antiquado
tudo dessangra.

Parâmetros, escolhas
obtusas
e meus olhos tangentes
obsedados pelo percurso
da anaconda.

Me reclamam momentos
de terreno baldio
me faço amparada
por satélites

it takes a huge effort
aprender qualquer coisa
além de meu idioma

minha própria gramatura
paisagem em alarido.

Esboça cara de pavuna
não sabe retroceder
observa de esguelha
deturpa a mensagem

se consubstancia
se fotografa

comendo as folhas do verão
os fios da seda
a vida de pausas.

Aqui, eu perco
o fundo mais fundo
no ângulo perfeito.

Deslugar

Em vez de louvar
Vinícius
Carolina Maria de Jesus.

Em vez de dar nome
aos bois
libertar os animais.

No entanto
sou o ainda
e hipócrita

mas isso, minha cara
não é o
cristianismo.

Como poeta
no meu tempo
I play like a girl.

Há muito
as armas e os barões
assinalados.