poesia

Columbita-tantalita

No dia do lançamento do AI-7
só fiz pensar no Congo
dois dias depois de Trump
nove dias depois de quando

se contam os mortos
já não há dedos para esquecer
que o mundo se alimenta
de tântalo.

Como ignorar o suplício
e pagar por ele?
Como chegamos até aqui?

Leopoldo fez do Congo
sua fazenda. República
Democrática do Congo
Fazenda de Leopoldo.

Mas o genocídio tem apenas
enquadramentos morais
viés cinematográfico
e aceno invisível.

Se não pudermos lucrar com isso
chorar à exaustão
dissecar nossos mortos.

O que nos interessa
o mapa desenhado
como pela mão
de uma criança louca?

Um continente retalhado
como num jogo War
as terras são quadradinhos mínimos.

Fronteiras étnicas
milícias armadas
imagino meu corpo de escudo
não há tempo para defesa.

Leio: metal duro de transição
de cor azul acinzentado
e brilho metálico
resistente à corrosão.

Não sei do que é feito um iPhone
e o coração dos homens.

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