Servidão de passagem

Somos e não somos americanos.
Somos e não somos índios, africanos.
Somos, não somos: refugiados
imigrantes, minorias em rede
guetos globais.

Reféns do capitalismo
somos o capitalismo.
Somos, meu bem, seus bens
na periferia da ordem mundial.

Subjugados pela comunicação
neocomunicadores xenófobos
capitães do mato na selva de pedra
nas infovias do silício inválido.

O que deixamos de ser
é algo de abstrato
quando se pensaria concreto.

Algo delicado
de urgente para além da fibra ótica
ainda filamento, ainda Gaia
e a guardiã da memória

agridoce, ribonucleica
impulsivamente humana.

Os fantásticos arranjos da espécie
motos contínuos, perpétuos desastres
extrusão nos vidros
estrugir nas pedras, montanhas

rochosas ao amor.

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