Se sou um abrigo antimísseis
se não há comparação possível
entre mim e coisa alguma.

Se sou provável
condescendente
se meu escudo é feito
de humanidade.

Eu poderia ser a voz de
Melody Gardot
eu poderia ser
teu pior dia
eu poderia viajar
pra Síria.

E me encharcar de sangue
e me encharcar de chuva
ser cosmopolita do horror.

Quando eu vou à prefeitura
do Rio de Janeiro
suplicar um salário decente.

Quando eu quero ocupar tudo
e descontar trinta porcento
da tua cara de pau, governador.

Quando meu patrão é bispo da IURD
e os crentes me dizem da sua gentileza
– ser gentil com capangas e pistola.

Eu sei: o mundo não é possível.
Eu sei: a crise é também onírica.
Eu sei: a gente nem morre na massa mídia.

Eu sou meu lirismo morto
borra botas chaga de poeta
a contingência de ser de não ser

a ostra e o vento.

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