poesia

Deriva continental

A poltrona onde me sento
e dialogo com fantasmas

os meus pés suaves na inexatidão
de pelos e poeira

a marca de invisíveis sapatos
o fim de semana quente de Outubro

a gripe satélite de outras postergações

os bichos e brigas sem explicação
o sono que não é o meu sono

o carinho que alarga tudo
o homem que acolhe tudo

a memória se apartando no cansaço

o movimento suave da confiança e do desejo
restaurando no cimento a aurora boreal

das dezoito marcações do horário de verão
num prenúncio que se delineia

como cicatriz de queimadura

a dimensão dispersiva
encarando no futuro

as cores os móbiles os retratos
os livros as conchas

é claro, as palavras
na certeza uma ilha

no continente aceso
um poema.

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