Em Angkor Wat deposito meu véu sem cor.
Em Angkor me despindo de Vênus
e do meu primeiro poema
(sucumbia em seus espaçamentos, nuances, espasmos
seus pelos pubianos, seu batom).
Em Angkor Wat a distância se esfarinha
nas pedras milenares que calcaram o Império Khmer.
Um súdito me denuncia: nunca esteve
em Angkor, tampouco o mais vivente
(tudo pertence às árvores e às raízes).
Estima-se que pegou um avião e ingressou em Siem Reap.
Estima-se que sentiu a vertigem dos séculos transcorrerem seu sangue.
Estima-se que a alma dos templos te abraçou no Camboja
(eu mesma planejo isto).
No entanto, meu bom irmão, meu ocidente
saibamos nos aproximar da morte
intuamos o sagrado e a pobreza
ouçamos o som do navio partir
(e não é nem mesmo música).
Fica-se com o resto de si na penumbra
que esquece o santuário.
O abandono é um dom dos deuses
a guerra é ter pra onde ir.

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