Sábado

Vou usar o dia
para escrever com meus cachorros.
Ambíguo e canino dia.
Desabrindo-se das páginas
percorrendo quintais pós-furacões
eletrodomésticos em exposição
funeral do século XX.
Eu tenho sessenta e seis anos hoje
e assumo a identidade mística da cantora
com seus corcéis de cartas ciganas
e gatos e projetos estranhos.
Transformei meus cães em fotografias.
Meu amor tem os pés quebrados ou tem luxação.
Cancelo oitivas à praia, do mês vem o ar recessivo
da violência, nem parece Maio
se em tudo engendro calendários
referências plasmadas por osmose.
Destilo mandrágora, flor de capricórnio, bruxa enterrada
às dez da manhã de sábado.
Toda mulher resiste.

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