poesia

Vulgata

quero romper
depois que os nomes se apagarem
na ventania dos sussurros
quero que essa quebra
sempre repetida
me libere da angústia
de significar
quando não mais necessitarmos
de alianças
quero que arquemos
com o que sempre fomos
duas peças de um quebra-cabeça
interminável
duas rainhas em xeque
dois reis para matar
quero mapear a consciência
com o movimento das palavras
depois quero quebrar o disco
com a história de nossa tribo
de lúcidos e androides fodidos
e monges polissêmicos
afinando em seus quartos
o instrumento bêbado da solidão
e, sobranceiros, irradiando, afetando
deixando-se levar

que levem um poema
uma perna
que penetrem meu sexo
com o diapasão da lira
e arranquem a lira
da dissonância do meu corpo
ainda me sobrará a cabeça
ainda me rondará um totem
tabu
de onde quer que eu saia
onde quer que eu chegue
isto que me enverga
os nomes

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