Baixada

Cá estamos
garupa e alçapão
desgovernados por janelas
o que queremos das encruzilhadas?
Vamos rentes às torres de alta tensão
nossos perigos não são carcaças
deixadas a esmo, de qualquer coisa
de nosso, o perigo é a velocidade.
O desenho que faz a silhueta de um ônibus no fim do mundo
e lá é tão fresco quanto o jardim botânico
os porcos andam sem que ninguém lhes aponte metáforas.
Vamos driblando o vazio de árvores que não se desvendam
vamos dando com pontes vazias, poentes úberes
acelerando ao vigor dos caminhões, irmãos nossos como elefantes.
Sujos de um punhado de sombras, um declínio de monte
uma promessa de fogo, um terreiro ao longe –
a música se enfaixa ao nosso corpo, cá estamos
múmias desse desejo de voar, de topar com o mundo em branco.

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