a casa é um pântano, nada ensina que a casa é um pântano

onde ninguém mora, ninguém habita o pântano.
há criaturas saídas do pântano.

morar é desaparecer. você mora onde dói. a casa é onde dói. e canta.

você é um ecossistema. precisa de animais para abater. precisa de um pântano onde se esconder. você é feito de lodo. você é um pântano, talvez uma casa,

onde alguém saído do luto veio habitar, onde alguém abatido dói, alguém que canta e desapareça.

as casas ensinam que o sol é uma ilusão

e toda ilusão deve ser comida.

algumas ilusões germinam, poucas ilusões dão sombra.

um pântano deve conter muitos segredos, mas não. turvo demais até para o segredo.

os cachorros amam as planícies inundadas

e você se encharca de lodo, você vence o luto, você sai de casa, você encontra outra casa,

você desaparece.

a novidade é ribeirinha e logo cresce. logo um novo pântano se forma e se alastra de você. daí você se torna a criatura do pântano

é preciso sair outra vez

você escreve, ralha com os papeis, com os cachorros, devora os livros, desenha formas de vida: se adensa, se purifica

volta à cidade do lodo inicial. não há mais dor ou selva. tudo é erradio.

as coisas voltam a ser calmas, dentro da lágrima que te viu chorar de desejo

faz com que desapareça o monstro, torna-se a umidade que rasgou a mãe.

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