põe-se o naco das coisas no entre delas
põe-se a temer a desordem e a catástrofe
põe-se a dizer e a merecer
um estar entre somas
caminham clareiras, vapores, brumas
põe-se a mascar o sábado, as dobras do cão
a beatitude do cão, novíssimo amor
escuta os sexos jorrando, serranias
a larva turva que imiscua centímetros
os degraus do medo, a devoção do cão
o medo na dona do cão, textos amputados em seus dedos
debussy rangendo luas, a dobradiça do armário da cozinha
quebrada em testemunhar a vaguidão dos passos
norteando os latidos de Deus, chefe da matilha transparente
põe a ração do que queira nos perfumes suados da vida
põe-se a comer o desejo, como quem flutua a língua
dizer dizer silenciar dizer
sumir avocar transcender
um naco das coisas, quer queira quer não
resta, perece, suspende
o estertor vigora nos olhos
a confiança do sono suicida.

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