poesia

Enxertos

Tenho mãos incongruentes que respaldam buracos na linguagem.

Nasci nas dobras de uma afeição a outra, no pacto circunstancial do sexo.

Sou filha da hegemonia da luz ou das sombras?

Há ancinhos nos meus olhos esquartejados de ver.

Faz um frio monumental, desde a infância. É preciso que me toquem e que me rasguem.

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2 comentários sobre “Enxertos

  1. ramonvareladiaz disse:

    Ando curioso e preocupado com essa fraternidade poetica que se instalou em mim, pelos blogues, talvez nos outros, não sei… tudo sempre tão cordato, amigo e perigosamente agradável… não raro aí a tensão do poema coalesce, o esforço de explosão (ou implosão – confesso que essas dinamicas binárias me cansam) do autor dissipa, não pelo puro esquecimento que é uma força bonita, mas pela lembrança branda dos homens… melhor seria um puro esquecimento do que uma mera lembranca. Talvez como Manuel Bandeira, mas sempre necessidade do corpo, ao inves da morte absoluta, um esquecimento absoluto… a sensação que tenho as vezes é que não estamos escrevendo mas sim fazendo um enorme esforço para apagar ou negar o tudo que foi já escrito…. sim é preciso um talho, um rasgo, n-cortes para superar todas e tantas n-camadas.

    um abraço

    Curtir

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