poesia

o corpo é a única ponte possível
o corpo perecível, falível por si
é o corte e o facão
semeia a tempestade

de quem fale pelo corpo
revele o corpo
ostente esse olho
de carne se diz, meu irmão

faremos dele a casa
o amor
o templo
e a morte

não haverá o tempo
o corpo, enquanto ponte
há de inaugurar o abismo
e vencê-lo

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2 comentários sobre “

  1. Oi como não sei seu email, queria pedir permissão para publicar uma tradução de um poema seu (A boca uma novena de silencios) no meu blogue (holostasis) com os devidos creditos e link direto para o poema orginal. Qualquer incorreção (sentido, gramatica ou qualquer outra) não publico, ou acaso queira fazer suas proprias recomendações. Houve necessidade de mudanças em termos de concordancia e regencia como em “o desejo — é uma pedra que anuncia o vento” / the desire — it’s a stone that announce winds) pela excessiva ressoncia do artigo definido “the”, preferi suprimir em algumas passagens, sem que retirasse o sentido dos versos. em outra passagem quis aproveitar a lingua inglesa para adicionar elementos que estão contidos no texto: “é o vento deflagrando movimento nas águas”, que eu escolhi …the motion through the waters — “the motion” indica claramente a palavra emoção sem necessariamente deixar clara, demasiadamente expressa. Tive imensa dificuldade no tempo de algumas passagens, principalmente nos versos onde os adjetivos estavam isolados, onde permitem na linguas latinas equivocações (varias vozes).. já na lingua inglesa, os adjetivos e adverbios são muito horizontais…

    um abraço

    the mouth is a novena of silences by roberta tostes daniel

    the mouth is a novena of silences;
    arise to the death;parlance of migrant
    birds, that sing every after noon.

    the mouth keeps the beauty of world
    from the world itself just to unchurch,
    thrown at the mud, intact or wasted
    iron ore, sea, clay, sacramental bread.

    the mouth, saltern drunk, rain exhale.
    residual like dreams, also is the salt
    on invisible steams. engraves the
    row of foams: hands all over bodies,

    the mouth at all – draws, omnipresent,
    the desire – as a stone that announce
    winds. it’s the wind igniting
    this motion through waters.

    the mouth barely knows what it is,
    that is flesh, that is dream. of death.
    that spear bird arpeggios after noon
    just to renounce or to maintain.

    the mouth opens inner impossibles, intangible
    verbs in every way. howeverall absorbs and craves,
    because knows everything through the promisse of taste.

    the mouth enjoys beyond measure.
    soft, inaccurate; fluent saliva. brute
    or androgynous. mouth, solely.
    tragic adheres. hermaphrodite fruit.

    the mouth phallic licks: world’s elytron,
    shadows in the flesh. all mouths
    so announce, and none mouth.
    incognito, resilient all they are.

    the metamorphic mouth, metaphysicist.
    it is a child without beliefs.
    for all, abducted. fanatical landscape;
    abjures, trembling kiss

    the mouth-breast, seminal-hole.
    small mouth-to-mouth, unmeasure chews,
    carious jet passions. dump out, but

    the mouth has salvation. no one knows from what
    from who. where the mouth
    when an inhabited rumor for nothing, sings and silence.

    the mouth, the mouth.

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    • Ramon, olá..

      Que surpresa bonita. Claro que pode publicar. Que bom que deixou um caminho para o teu blog. Seus comentários aos meus poemas dialogam com muita profundidade, através de belos intertextos. Obrigada pela tradução cuidadosa e leitura fecunda.

      Um abraço.

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