Temprana luz
que me acorda
iniciática
primeira luz
do fim
movente sob
um céu de anzol
que me captura o branco
quinhão do sono.
Um anuário de nuvens
atapetadas
na vigília dos dias –
enraíza-me os olhos
deflagra-me o dentro
e sempre
sempre
labora
o entreluzir
entredizer.
Pensamento-fagulha
dissemimador
de águas.

Um comentário sobre “

  1. as vezes o poema deixa o espaço literario e assume de ferramenta específica: esta ali para ser utilizado… nao é mera estilização ou esteticismo, a estética em sua fronteira, stesis, stasis… o egoismo poetico não é qualquer ego, ele quer ir alem do conhecimento estabelecido e estremecer suas bases fisicas e metafisicas… como um coringa, ele anula as regras previas do jogo, como uma cifra, como um zero

    “enraíza-me os olhos
    deflagra-me o dentro
    e sempre
    sempre
    labora
    o entreluzir
    entredizer.
    Pensamento-fagulha
    dissemimador
    de águas.” [roberta tostes daniel]

    todo poeta e matematico tem em si uma ideia do codigo como um zodiaco do qual partem as suas
    ideias cosmologicas, curiosamente é na literatura (como ponto de fuga?) é que se alimenta
    e retroalimenta a dúvida e ruptura, obviamente não uma ruptura qualquer, nem uma duvida
    qualquer, antieuclidiana, talvez… não há referencias diretas a euclides na obra de bergson
    e nem precisaria, ja que os elementos de euclides estão no entranhados de multiplas formas
    no imaginario humano; no cotidiano, no sonho, na razão e na loucura… bergson “encontrou”
    euclides atraves de pascal, porque na verdade euclides forneceu ao imaginario destes dois o
    assombro, a muralha intransponivel de matemas perfeitos… isto mais tarde no seculo 20
    assombraria kafka e regojizaria borges…

    aporo por carlos drummond de andrade

    Um inseto cava
    cava sem alarme
    perfurando a terra
    sem achar escape.

    Que fazer, exausto,
    em país bloqueado,
    enlace de noite
    raiz e minério?

    Eis que o labirinto
    (oh razão, mistério)
    presto se desata:

    em verde, sozinha,
    antieuclidiana,
    uma orquídea forma-se

    um objeto, uma ideia, se forma ate mesmo quando tudo nele nada indica… ele é multiplo (bergson)
    ate mesmo quando sequer foi enunciado; esta ali, assombrando silenciosamente no entreluzir e no
    entredizer que sao estes espaços que nos restaram para imaginar, onde não ha nada deliberadamente
    expresso…

    hieróglifo para mario schoenberg por haroldo de campos

    o olhar transfinito do mário
    nos ensina
    a ponderar melhor a indecifrada
    equação cósmica

    cinzazul
    semicerrando verdes
    esse olhar nos incita a tomar o sereno
    pulso das coisas
    a auscultar o ritmo micro –
    macrológico da matéria
    a aceitar o spavento della materia (ungaretti)
    onde kant viu a cintilante lei das estrelas
    projetar-se no céu interno da ética

    na estante de mário
    física e poesia coexistem
    como asas de um pássaro
    – espaço curvo –
    colhidas pela têmpera absoluta de volpi

    seu marxismo zen
    é dialético
    e dialógico

    e deixa ver que a sabedoria
    pode ser tocável como uma planta
    que cresce das raízes e deita folhas
    e viça
    e logo se resolve numa flor de lótus
    de onde – só visível quando damos conta –
    um bodisatva nos dirige seu olhar transfinito.

    um abraço

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s