poesia

Temprana luz
que me acorda
iniciática
primeira luz
do fim
movente sob
um céu de anzol
que me captura o branco
quinhão do sono.
Um anuário de nuvens
atapetadas
na vigília dos dias –
enraíza-me os olhos
deflagra-me o dentro
e sempre
sempre
labora
o entreluzir
entredizer.
Pensamento-fagulha
dissemimador
de águas.

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Em seu devido lugar

A flor de lótus – feixe
de cristais pairando sobre mim
enquanto, sentada no sofá
projeto meu pensamento
em torno aos símbolos
que pranteio. A magreza
me põe mais forte
no tonel do corpo
come todos os agoras.
A tristeza desbotada
feita de partida
de horizontes de cinema.
A estrada
filha ribeirinha e pernalta
entra de solavanco.
Outros elementos
conjuram.
Sem querer desancar
cada coisa de seu lugar
de seu devido lugar
eu, perene no momento.

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Vou embora de mim
não autorizo sequer
dizerem que nasci.
Pasárgada acabada
estrada tem formato
de mulher.
Permaneço
enquanto morro
de amor e tédio.
Êxtase para os santos
ave santíssima
barragem.
Se a tempestade
desembocasse
onde medito
ontológica e vertical
rumo ao magma
epicentro do mundo.

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toda floração

rebentável enigma
sucede imigrante

para cada veio
a modéstia dos regatos

eu me fundo
caiada e transparente

como as banhistas de Malevich

e o meu corpo
um sol negro

diz: Virgínias
e a voz sem sombra

desce onde
ninguém vai

afloro
meu mosaico de perdas

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Centros

1.
Olhos que balouçam
– a devoção do barco
mãos graves sobre o mundo
crime delicado
fender a pelo
tomar posse
da aspereza do oceano.

2.
O eixo da flor
me revela
a face desdobrada
dos cheiros
interior é o tempo
germina
nossa intimidade
feita da sequela
das cores.

3.
As palavras me sonegam
meu léxico é o ermo
quantos dias para confundir
a memória me escreve
na língua
do enxame.

4.
Tudo que consigo
com a profundidade do incerto
desejo de enunciar
é quebrar o cristal
cada partícula
meu lastro.

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bons tempos especulando
na zona de rebaixamento
– saída arredia
uma ideia substancial, torrão de intriga

em que pudesse esconder
ao seu lado
um milênio, um mimeógrafo
os meus dias

de que maneira o assombro
vai tomar conta de nós
e decalcar um destino

ou seremos pardos, brandos, gatos
arredios, de pelos nus

senhores do tempo
doutores irresolutos
picaretas, psicodélicos
nada disso

o que queremos
durar, adorar

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