em trânsito

vai, com a ultrassonografia do irmão, as mãozinhas segurando firmemente enquanto o ônibus segue sua viagem sacolejante. vai, olhando a figura borrada no ventre da mãe. vai sentindo um coração comum, de pálpebras fechadas, ri enquanto olho. declina sua intimidade, cenho carregado como o adulto que não há. mãe também acaba de ser parida, a facilidade com que a bolsa rompe e o exame feito de bebê quase cai. um líquido viscoso e invisível cobre tudo que virá. chamado placenta, não fosse a cara da morte no ano brutal.

desço do ônibus

aquele casal não para de se tocar. o sinal demora toda eternidade que eles desejam. sinal verde, cócegas, transeuntes crescendo na palavra estranha, transeuntes. a mulher se entorta, ri desajeitada e feliz para a plateia, bate de leve na mão do marido, sinalizando que pare, aquele parar que recomeça como cena repetida desde a mocidade. implicância incomensurável. finalmente, o farol aponta, o asfalto avança sobre eles, mais que o vermelho. a faixa de pedestres cresce as pernas. temos pressa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s