poesia

Dioneia

I

Dioneia tem boca de vingança: trucidante. Dioneia comeu todos os meus poemas. Agora só escrevo Dioneia. Dioneia não admite ser tocada pelo inseto de minhas mãos. Não quer representações: quer ser Dioneia. Muscipula, carnívora, americana. Ah, Dioneia, sou um pobre poeta que te vê aberta. Como se me chamasse, como se me quisesse, como se me comesse.

II

Dioneia veio por nascer de sua fome, de sua forma. Não aguentou e devorou uma parte dela. Veio quebrada, Dioneia veio partida. Pequena. De tarde, calada, Dioneia me vendo dormindo, Dioneia com nome. Eu cheia de nomes, Dioneia, cheia de páginas. Que fazer com todos os nomes, todas as páginas? Engolir, Dioneia, tautologicamente, o presente que és? Dioneia veio banhada no verde, clorofila e terra, perdeu sua cor, foi devorada pela fotografia.

III

Dioneia se fez noite, água, pássaro, planta, inseto, incêndio.

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