margem de erro
de rio, terceira margem
assombração
para mais ou para menos
parachuva
arroios, brasis
sabedoria dos grotões
sudeste, sudoeste
vento inconsequente

Anúncios

Um comentário sobre “

  1. emiliy dickson – mine by the right of the white election

    Mine—by the Right of the White Election!
    Mine—by the Royal Seal!
    Mine—by the Sign in the Scarlet prison—
    Bars—cannot conceal!

    Mine—here—in Vision—and in Veto!
    Mine—by the Grave’s Repeal—
    Tilted—Confirmed—
    Delirious Charter!
    Mine—long as Ages steal!

    carlos drummond de andrade – canto ao homem do povo, Charles Chaplin [excertos]

    Não é a saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço,
    eles não existem, mas a de homens comuns, numa cidade comum,
    […]
    Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,
    que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida
    […]
    Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,
    os parias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, os cismarentos,
    os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.
    […]
    Assim, noturno cidadão de uma república
    enlutada, surges a nossos olhos
    pessimistas, que te inspecionam e meditam:
    Eis o tenebroso, o viúvo, o inconsolado,
    o corvo, o nunca-mais, o chegado muito tarde
    a um mundo muito velho.
    […]
    Mundo de neve e sal, de gramofones roucos
    urrando longe o gozo de que não participas.
    Mundo fechado, que aprisiona as amadas
    e todo o desejo, na noite, de comunicação.
    […]
    Mas não tens gula de festa, nem orgulho
    nem ferida nem raiva nem malícia.
    És o próprio ano-bom, que te deténs.
    Colo teus pedaços. Unidade
    estranha é a tua, em mundo assim pulverizado.
    E nós, que a cada passo nos cobrimos
    e nos despimos e nos mascaramos,
    mal retemos em ti o mesmo homem,
    […]
    ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode
    caminham numa estrada de pó e de esperança.

    otto maria carpeaux – a ideia da universidade e a ideia das classes medias

    Jamais esquecerei o dia em que entrei pela primeira vez, com toda a ingenuidade dos meus dezoito anos, no solene recinto da Universidade da minha cidade natal. […] A decepção foi muito grande. Via a biblioteca coberta de poeira, os auditórios barulhentos, estupidez e cinismo em cima e em baixo das cadeiras dos professores, exames fáceis e fraudulentos, brutalidades de bandos que gritavam os imbecis slogans políticos do dia, e que se chamavam “acadêmicos”. […] Por toda parte, as universidades são doentes, senão moribundas, e isto é grande coisa. Das universidades depende a vida espiritual das nações. O fim das universidades seria um fim definitivo. […] Hoje em dia Herbert George Wells pode dizer: “We are entered in a race between education and catastrophe.” “Entramos numa corrida entre educação e catástrofe.” Aí está a questão da Universidade. […] Abundam os homens cegamente convictos, muito “práticos”, “úteis” para os serviços do Estado, da Igreja, dos partidos e das empresas comerciais. Pode ser que todas essas instituições lamentem, em breve, a abundância de homens convictos e a falta de homens livres. […] O fato central da nossa época é a violência generalizada a todos os setores da vida pública, a violência que pretende substituir o espírito no seu papel guiador das massas. E a ideologia que permite explicar o espírito das novas classes médias é a ideologia pequeno-burguesa, violentamente revolucionária e antiintelectualista. Explica-se, por isso, que Georges Sorel, o pai espiritual comum do fascismo e do bolchevismo, Georges Sorel, o ideólogo da violência, seja um homem profundamente pequeno-burguês, representante típico das classes médias francesas, preocupado com a decadência das “autoridades sociais”. Fica-se a admirar que Sorel fale em decadência, na França dos Taine e Bergson, dos Flaubert e Proust, dos Mallarmé e Claudel, dos Degas e Cézanne, dos Rodin e Debussy, dos Pasteur e Henri Poincaré, numa das épocas mais magníficas do espírito francês. Mas é por isso mesmo. Sorel é violentamente antiintelectualista. Vê no espírito e suas obras poeticas o grande obstáculo da volta ao primitivo. […] A violência é o fenômeno “espiritual” central das novas classes médias e da nossa época; significa a determinação de empregar todas as armas, todas as que o esforço do espírito criou, para conseguir um fim material: a salvação social da classe. Não se admitem outros fins. Ridiculizam ou anatematizam todos os esforços independentes, desinteressados, do espírito. Admiram a especialização útil do “intelectual de profissão”, e banem o humanismo do “professor”. […] Ainda uma vez cito Ortega y Gasset: “La peculiarísima brutalidad y la agresiva estupidez con que se comporta un hombre, cuando sabe mucho de una cosa y ignora de raíz todas las demás” (O. C., p. 1291). Eles, porém, os iletrados, têm sempre razão, porque são muitos e ocupam um lugar de elite, esse “proletariado intelectual”, sem dinheiro ou com ele, isso não importa. Julgam tudo, e tudo deles depende. Lêem os livros e decidem sobre os sucessos de livraria, criticam os quadros e as exposições, aplaudem e vaiam no teatro e nos concertos, dirigem as correntes das idéias políticas, e tudo isto com a autoridade que o grau acadêmico lhes confere. Em suma, desempenham o papel de elite. São os nouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos; e nós sofremos as conseqüências, amargamente, cruelmente.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s