Um comentário sobre “

  1. oi estou lendo seu blogue tem algumas semanas por indicação de uma amiga especial, lara amaral, e nao quis prontamente escrever nada para não incorrer no equivoco (ou univoco) de determinar um X para um Y, Ivor A Richards (Practical Criticism) costumava dizer que a pressa na interpretação, levava necessariamente a uma tendencia refrataria na leitura, na absorçao das paisagens poeticas porque nao seriam devidamente meditadas… é dificil ler neste aspecto, porque sempre nos leva a origem do proprio poeta; como diria Rilke em sua primeira elegia: “Pois o belo não é senão o início do terrível, que já a custo suportamos” […] imagino a quantidade de tuas horas para ao menos construir-se ao redor de uma estética, de uma arquitetura que permitisse que as evocaçoes não se perdessem em linhas vagas, no senso comum cultural e, nisto, também, romper com tudo ja escrito nesta angustia da influencia – de ter que atravessar tanta coisa para tão somente escrever (“Foi preciso muita palavra até arrancar deste silêncio um lugar seguro”) – hoje o esforço de depuraçao é quase infinito, um peso de atlas sobre os ombros, como se escrevessemos dez vezes a mesma coisa so para que algo dali ganhe uma signância… além disso o poeta não confia no tempo nem no espaço, é anti kantiano por natureza; todos os ofícios e escritorios, profissionais de toda ordem, carregam consigo um senso de começo-meio-fim, ainda que para sufocá-los ou agracia-los com algum senso de paraiso e/ou inferno… por conhecer a origem dos códigos o poeta jamais sabe, com certeza, sua idade…

    um abraço

    “no plano das ontologias
    a melhor palavra é a mais dormente
    por isso recuo
    […]
    Todo rio é o rio de Heráclito
    Todo rio, atávico
    Todo rio expande só até as bordas”

    Friedrich Holderlin – Lebenslauf [excerto, trans. ramonlvdiaz]

    Tu também foste um sonhador pelos tamanhos
    Mas o amor nos curva a todos em sua régia.
    A dor nos pende, inclina ainda mais o arco
    Que não regressa em vão ao ponto de origem .

    Subir. Descer. Que importa?!
    Na noite sacra em que a natureza em silêncio
    Planeja o devir – e até infernos impossíveis,
    Não haverá algo que aconteça reto e defronte?

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