Tenho a cumplicidade das árvores
seus uivos secretos seus galhos
estão por toda parte
se misturam pela teia de sombras
que me enovela. Estou calma
na melancolia das raízes, sei esperar
a metamorfose do calor e do caule
no desenho das folhas
a rajada espessa da selva.
Estou na vida espessa da cidade
diante de uma estátua mitológica
contemplando sua inércia
avariada pelo rush.
Os desníveis do solo e da memória
as gradações do dia no passeio público.
Minha alma tem os rincões
do metal e sua vegetação soberana
de pelos que se eriçam –
o labirinto dos nervos
corpo em bomba-relógio
que explode sob as árvores
elegendo sua continuidade
artificiosamente natural.
Finalmente, urbanos, bebemos
afásicos e humanos
esse travo selvagem da cortesia.

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