poesia

Eternidade

Você que parecia o início
dos elementos postuláveis
em torno do qual permitiríamos
um tácito derrame das venezianas.
Seu perfil nas prateleiras –
o rosto de Ulisses, noites de Céline
(oniausência, história do pranto
O Aleph, o Chaplin).
A você, onde não há você
subjaz um novo sob o sol
da outra vida, nela adivinharei
ainda mais as distâncias.

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poesia

é uma questão de
impostação

ouça: a manhã
é jovem

mas tem na curva
sua lira

quem canta os antepassados
quem arranha cordas
quem não volta

e torna o aço mais humano
mais carregado que nuvem

abstrata de tão doce
palpável de chuva

por conseguinte

sismo, fermento
menino pio
sabe acender o tamanho

das coisas que deslumbram

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poesia

cabeça grande
costas nuas

largo fardo
embrulho pouco

frágil
de antemão

detém-se
brusco

açoite
de convivas

animal do silêncio
ânima peridural

fala com cem teias
e come

bípede
polígono

homem de creta
excretor de fracassos

pesa-lambda
geômetra em si

ambi
valente

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