Não se deve escrever toda hora
porque não se deve ficar
sempre enfeitiçado.

Nem sempre é feitiço
“é a ferida mais perto do sol”
essas coisas estrugem.

René Char sentiu a lucidez
bateu forte nele como um Setembro
que, insólito, se faz garça e mendigo.

Eu me faço na superlua
considerando o absoluto:
verdadeiramente a cidade
álamo de pessoas e folhas
à revelia.

Aqui se pode
experimentar, de fato
a “deterioração acentuada do
sentimento do investidor”
caro Moody’s.

Tem força o que se desgoverna
belíssimo arranha-céu
a meio passo da oitava
dimensão
de todas as vicissitudes.

Não se deve, eu sei, agir
como um pernoitado no poema
sonhático de Marina
mas por que não se deve
só porque não se deve

eu faço
sorrindo
o que você me pede
chorando.

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