poesia

engraçado como a gente demora a encontrar quem a gente é
depois, calmamente, dia após dia, sem ilusões
alguns anos se passaram, difíceis, por ora você segue sem correntes
pelo fluxo daqueles que te olham nos olhos, te adentram
e tá lá, este de quem se fala nos olhando do fundo de um espelho
na menina dos olhos de alguém, estendido sobre tantos horizontes
tá lá o duplo, o outro, quem fomos, um breve mirar de alma
infinitesimalmente, já diversos e alheios e soturnos ou sonhadores
um poente de memórias, um corpo mais magro, coração inflado
despenteado, sem miras, sem flechas, sem terras, sem amores
embora todo o futuro te aguarde como se a humanidade viesse te ver
te querer, dizendo que não tenha pressa mas não ande como quem não sabe
que os seus passos caminham pra aquele fundo que não quer ver
e toda a sua vida será o caminhar para ele, como quem vai ao próprio berço
estreitar a sua criança que vai se perdendo, vai sonhando mais, vai querendo
ficar na demora de quem não se chega, não vê, calma, hoje você pode dormir até mais tarde

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poesia

quando noto as palavras de acesso de um poeta
modorra, aceder, sueños ou sombras, land, território
não em sentido metafísico; como senhas de um banco
que se opera em sentido metafísico; retiro da mais valia
sua precariedade originária, seu portal, para além do artefato
um conceito que a história logrou, que a memória engoliu
jargão, tique; a poesia que nasce no calço que dá ao passo
o seu rastro, sua pisada de queda, seu chão que fotografo.

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