pão cego da poesia –
mastigo o ermo das palavras
quando não quero dizê-las
estendo os braços, frágeis de sentido 
por algo como a luz. ou a fome.

ostenta
a urdidura dos becos
expostos
os ossos do ofício 
glebas
de cimento e carne
vielas
do descaso
vilezas 
do desejo
bate
rangendo a própria lei
rege
nas narinas 
a ordem inoperante
quer 
de teus ouvidos 
tua alma no ritmo
proibido