Bateau livre de palavras caídas no tempo

Quasimodo tonto da cidade
vê panta rei de tigres
nas águas Tarkovskyanas
que me lavaram os cabelos.

Chove na praça Afonso Pena
novena Heraclítica
estou no meio salto –
as quatro pombas de Bandeira.

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Nota

não é por vaidade
que se demonstra haver nas coisas
o seu desejo de ver

debruçar os olhos além
dos ditames da forma, talvez

se conhecesse a cadeia de escândalos
na qual uma mulher se abandona ao espelho

profundamente olha
querendo a sucessão

de cada existência, ínfima, que a penetra
é um dardo e que tem por olho a direção

quer fazer de todas as coisas o alvo
e está em todas as coisas

ela mesma, ausente
um palco
catártica e silenciosa

até fazer um furo –
se não dilatasse tanto

no escuro, a pupila.