poesia

o tempo não apenas abre covas
meio dia existe com a fronteira clara
e simplifica na manhã o absurdo

posso ser daqui de minha saudade
a vida recomeça

no agora das praças dos beijos
das duas meninas
desafiando lobos mais feios
que nas fábulas

o que se conhece do tempo derruído
importa conceber
ao modo de fazer caminhos

leio fervorosamente nesta manhã
eu poderia estar em bali
em qualquer praia

nos desfiladeiros das montanhas
ser o chile inteiro
andina

o que sou nesta manhã
não importa mais
do que ser nesta manhã

Nota
poesia

sob o signo da estrela

alguém caminha em teus olhos
no domínio do ocaso
a pulsação das ruas
derrama em teu sono
pejada de meninos
a estrela desce
alguém caminha e deixa
um astrolábio intacto
os pés aninham-se aos caracóis
em teus cílios, nos avarandados
o calor retorna
o horizonte entra
o amarelo é um sumidouro
por onde chego
e queimo

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Formas do mar

I

Lamber de lágrimas
para lembrar quem é –

um rosto que recomeça
a nadar

gostando a boca.

II

Deixa entornar, a água
não padece de membrana –
como explicar que somos dentro?
Com a mesma fluidez
e com mais visgo.

III

Tornar-se vento, depois de ser
do que te leva embora.
Recuperar a potência de lugar
e de partida. Depois, espuma.

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