Senhor, mais um dia a viver como praça.
Fundada não se sabe quando,
transeunte de tardes eternas,
com árvores ressentidas de pássaros
e pássaros como velhos
no coração das crianças.
Ferro descascado que declina a infância;
adiante, o seco chafariz,
raia dos alagados.
A água que não cresceu,
a água que não desce.
No seio, o leite das mães;
nas mães, o desvario.
A boca da fome,
alento, meu deus,
para cada quinhão de selva domesticada,
a não exortada grama
para a liberdade dos cães.
O arroubo de cem mil pombas
na fração de um sino –
esta oração de impensado poema,
durando no esquecimento.

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