Com que pedaço de memória é possível dizer tudo?

Posso tentar outra vez.
Mas a palavra hoje não me limita.
Estou em tudo e em ninguém.
Falhei. Falhei quando, juntas
atravessamos a ilusão dos corpos
na unidade quase possível.
O ponto máximo de realidade
embora os sonhos queiram dizer algo:
que há um lugar aceso para o tempo
que não existe,
senão um lugar que nos pertence
na dimensão sombreada
da memória –
o que ama.
E o que ama tem a carne
dos avessos.
Não consigo tocar
mais uma vez
a carne da minha linguagem.
Tento; os nomes chovem
sobre meu corpo
ermo.
A palavra, manto de água
despe serventias.
Há sempre o lado
limpo do leito
que desfere o nome
vazio.
Como um último golpe,
dois adolescentes
o toque desesperado.
As mãos que amam,
as mãos que nunca tocaremos.
Que esbofetearam palavras de ordem
quando não fomos;
consumidos pelos anos
atravessando o fundo.
O tempo, não mais o medo.
Com que pedaço de memória
é possível dizer tudo?
Ultrapasso a linha de chegada.
Ano após ano, de um desejo
que vai afinando como a pele.
Mas, em cada coisa escrevo
o amor: seu nome altero,
sua marca indelével
que eu risco
neste branco
de pele.

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