Vago dia
sobre a multidão de dias
escoados
no asfalto da noite
pela hora do jamais.
Cético lirismo
de um Drummond,
uma crença Ciorânica.
Ao cair da imagem
de um pássaro esfacelado às turbinas
ou a pedras Beckettianas:
azul, doido, manso
moer – pedra a pedra
de mortal espera,
a lucidez, mortal:
“acredito na salvação da humanidade,
na vinda do cianureto”.
Morrer, a língua, de rir,
mas não morrerem as mulheres
tuas – sobrevindas
lágrimas, quedando a noite
com teu dia por dentro –
olho de um poema, centro de uma névoa.
No sol odioso da manhã
aclarando as formas do sonho:
a colisão frontal das bocas.
Palavras, enfim, palavras
sobre um último dia;
aquela noite também vaga
na incerteza,
como um amor que segue dizendo
nunca, nunca mais.

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