poesia

Turvatura

A luz irreal da tarde;
a sala habitada de monstros;
as sombras defendem-se atrás de mim.

Quase fumaça
sobrevoando outra vida
– cristal e poeira.

Bebo no cálice de fogo.
O espaço, mais nu do que a alma,
entrega-me os móveis de minha vó.

Ressinto-me
à frágil circunstância dos astros:

rota alterada;
raio inequívoco;
licor de tormenta.

As mãos envidraçadas
tocam as digitais de outrora:

fragor da infância;
desfolhar das balas;
as portas, as janelas

abriram-me para o incêndio.

Sobrevivi da noite,
por detrás das sombras, da fuligem,
restando o mesmo gesto:

encolher-me.

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