A volta de meus braços não me alcança. Falta-me quase um palmo entre as mãos, que inutilmente se buscam, na medida de meu parco abraço. Sozinha, não me circundo. Árvore suplantada. Meus braços não são os galhos que supus, só quedam ninhos, nos umbrais de algum canto obscuro. Escudo contra o peito, a cruz de dois gestos denegados. E no tumulto da espinha, a falta em luva: um palmo de ausência. Uma ave banida. Duas florações, irmanadas para minha desunião. Mãos que sucumbem sobre a pele. O toque impossível do toque. Acedo ao tato, calorosa intempérie. Fui o charco nos jardins, a protuberância nas palavras. Hoje, germino na evaporação das imagens. Ainda batalho o meu nome. Dizer-me não me chega. Insisto pelo sentido. Porque o mundo talvez seja ainda o berço de minhas raízes amputadas. A mão que faltou entre meus membros. Mas sei pela falta: o mundo não é o ser, o mundo nada tem com este abraço que segrega a mim.

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