poesia

Móbile

Depor em minha vida, a vida de meu verbo
feito de visões: estrela-guia
de um reino sem lugar, sem palavra.

O jato das horas; o golpe do tempo
seu riso sufocante, de areia movediça
afogam na transubstanciação desta água.

Miramar pendente de mergulho
fôssemos meninos, braçadas
onde estivesse o mar

esta mão que enleia a tempestade
– sempre um visgo, um tremor
de vício nas mãos: escrever

asas em ruínas
fôssemos o chão
caminhássemos a chuva.

Mas como se apaga o chão
de terra lavrada?
A nuvem o que mais germina.

Guardemos silêncio
sobre a boca das palavras
em dia de visão.

Atravessemo-nos
com a perfuração das passagens
línguas em desastre.

Tantas palavras
o silêncio não é uma feira
vontade de dizer

para calar.
Estou abocanhada pelas ilhas
à borda de um reino em exílio.

O meu grito
o que desfaço
das imagens

com que me entrego
violentamente ao mundo
desmundo.

Padrão

Um comentário sobre “Móbile

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s