poesia

Acenos

Com as mãos limpas do choro,
tocarás, em remanso,
o degelo das pedras
circundada pela maresia.
Ousarás a praia de tua absolvição,
contraventora sitiada,
embargadora da voz;
fitarás o desmedido silêncio.
Serão de águas os teus desertos.
A areia rebentará
a invenção bípede da contrariedade:
é o litoral por onde chego.
Se miro paisagens que divergem,
repetindo-me uma vida
altera de lágrimas,
valho-me, animal estrangeiro,
e campeio uma altivez iceberg.
Sim, cometi um grande engano,
lanço ao recife este lamento:
minhas mãos que me acenam,
manchas sobre mim,
há tempos que me matam.

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2 comentários sobre “Acenos

  1. “Com as mãos limpas do choro” – o primeiro verso do poema é já todo um poema!

    (E todo o poema foi lido e incontido nos meus olhos admirados, poeta!)

    Um beijo.

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  2. Lisa Alves disse:

    “Serão de águas os teus desertos.
    A areia rebentará
    a invenção bípede da contrariedade:
    é o litoral por onde chego.”

    um disforme das formas. Sempre bom vir aqui!

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